Ernesto Roth

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Ernesto Roth
Foto de Ernesto e esposa
Nome completo Ernesto Roth
Nascimento 22 de Julho de 1904 (116 anos)
vila de Lachweiler, Württembreg, Alemanha
Nacionalidade Alemão
Cônjuge Erna Roth
Filho(s) Erlo e Saio
Ocupação Pastor e professor
Principais interesses Auxílio da obra Adventista
Religião Adventista do Sétimo Dia


ERNESTO ROTH. Professor e pastor. Nasceu no dia 22 de julho de 1904 na vila de Lachweiler, no Estado de Württembreg (Sul da Alemanha Ocidental). Seus pais pertenciam à Igreja Luterana. Aos sete anos, introduziu o curso primário. Após alguns anos aprendeu o ofício de carpintaria; frequentou por três anos um colégio profissional da Alemanha onde se especializou em construção de hangares, seguindo como profissão até completar 20 anos de idade.

Foi criado num regime evangélico com estudo da Bíblia e instrução religiosa. No inverno, um pastor luterano dava estudos bíblicos na casa de seus pais, às quartas-feiras, regularmente. Aprendeu muitos textos bíblicos ensinados por sua mãe durante o trabalho diário, na infância. Guardavam o domingo rigorosamente.

Quando tinha apenas cinco anos de idade, contraiu difteria. Era um ano de inverno vigoroso, com temperaturas abaixo de 25°C. Após o exame final proposto por um médico, a doença foi constatada. Este, de religião judaica, mas crente em Deus, disse à sua mãe que se Deus não fizesse um milagre, o menino não escaparia da morte.

Sua mãe tinha fé e muitas experiências com Deus. Após a saída do médico, ela foi até os fundos da casa, ajoelhou-se na neve e orou prometendo que se Deus o salvasse, ele seria um carpinteiro e um missionário. Desta forma, sarou milagrosamente.

Durante o último ano da Primeira Guerra Mundial, por falta de professores, chegou a lecionar no curso primário, sem remuneração, apenas para o bem da comunidade. Nesse tempo, o ensino era ministrado por homens, era rigoroso e bem aproveitado.

Por recomendação do pastor luterano e do professor, Ernesto deveria fazer o curso normal para ser professor. Fui inclusive preparado para isso. Contudo, havendo muitos inválidos de guerra, foi dada a preferência aos que tivessem o braço direito e desejassem dedicar-se ao magistério. Seus pais tiveram que escolher outra profissão para ele.

Por ser uma época de escassez e desemprego e pertencer a uma família que descendia de carpinteiros (seus irmãos já haviam aprendido a profissão), seus pais decidiram que ele também seria um carpinteiro, além de já terem contado que seria o plano de Deus para ele seguir aquela profissão. Já havia trabalhado algum tempo num escritório de engenharia, mas o salário mal dava para a pensão.

Com as noções e prática de desenho que tivera na escola profissional, iniciei sua aprendizagem numa oficina de carpintaria. No inverno trabalhava 8 horas diárias, sendo que no verão trabalhava até 13 horas por dia em troca da comida. Era uma exploração, mas seu pai assinara um contrato e ele deveria cumpri-lo. Era uma época difícil, após a I Grande Guerra. Os alimentos eram racionados, além da falta de agasalho no inverno rigoroso, a mais de 20 graus negativos. Trabalhando ao ar livre, sentia que os pés e as meias estavam congelados. A noite, ao tirar o sapato e as meias, pedaços de pele ficavam colados nas meias e no dia seguinte devia usar as mesmas meias.Mesmo assim, meus pés se restabeleceram.

Como luterano conhecia bem o Novo Testamento. No quarto do seu patrão havia uma Bíblia completa. Estudando-a, descobriu que devia guardar o sábado, mas só conhecia os judeus. Um dia suplicou a Deus que esclarecesse se deveria guardar o sábado. Naquela mesma noite teve a resposta divina. Convicto, decidiu guardar o sábado. Procurou ansiosamente uma igreja que guardasse o sábado, descobrindo com muita dificuldade um grupo de adventistas que se reunia em um salão.

Foi difícil convencer seu patrão a dar o sábado livre. A esta altura a patroa falou que ele não teria mais comida no domingo. Desta forma, no primeiro dia da semana, após lavar sua roupa, ficava sentado em um toco no mato, lendo a Bíblia em meio à Natureza. Foi um tempo difícil, de jejum, que Deus o ajudou a suportar. Foi batizado em junho de 1922 sem receber estudo bíblico.

Ao fim do meu período de aprendizagem, procurou emprego em outra firma, num tempo em que havia 7 milhões de desempregados na Alemanha. O comunismo florescia em todo o país, anunciando que a religião é o ópio do povo. Milhões de folhetos, em alemão, impressos na Rússia, entravam através da Finlândia, em tambores, como se fosse matéria-prima. Assim mesmo, conseguiu emprego. Teve sérios problemas com o sábado, mas consegui manter-se empregado por ser um bom profissional. Desta forma chegou a ser gerente da firma construtora.

Depois de dois anos, seu patrão o convidou para ser sócio da firma, além disso, queria construir uma casa para Ernesto e sugeriu que se casasse. Desta forma, pediu um prazo para meditar. No mesmo momento, um diretor de jovens da igreja sugeriu que fosse fazer teologia em Darmstst, Alemanha.

Finalmente, decidiu estudar Teologia no Colégio de Marienhoe, na Alemanha, tinha o suficiente para as despesas de dois anos. Contudo, a inflação galopante anulou tudo. Acabou indo com o equivalente a Cr$ 40,00, trabalhando 45 horas por semana, enquanto estudava.

No inverno, contraí uma pleurisia. Com nada menos de 5 litros de água sob as costelas, fui desenganado por cinco médicos. Num domingo, recebeu a visita de meu irmão que era pastor aposentado o animou a continuar tendo fé. Quando o irmão voltou ao colégio, o diretor, que sempre se informava sobre seu estado, ao saber da situação, convocou um culto de oração em seu favor, no domingo. Consequentemente, na segunda-feira se sentiu melhor e na quinta-feira recebeu alta. Embora tendo ficado com apenas um pulmão sendo que o outro secou. Durante 50 anos no Brasil, nunca mais teve problemas desse tipo.

No último ano teológico, recebeu o chamado do pastor G. W. Schubert (no período, Secretário da Conferência Geral) para ser Missionário Voluntário. Em 1928 ingressou na obra como professor no atual IACS (Instituto Adventista Cruzeiro do Sul) em Taquara, RS até dezembro de 1930.

Casou-se no dia 18 de junho de 1931 com Erna Rockel Roth, filha do pastor Augusto Rockel, em Ijuí, RS e da união conjugal nasceram dois filhos: Erlo (médico nos Estados Unidos) e Saio (engenheiro da EMBRAER), além deles, o casal adotou Helga (residente na Alemanha), uma órfã de guerra da Alemanha.

Entre 1931 a 1940, foi missionário na Associação Sul-Rio-Grandense em Porto Alegre, RS. A seguir, durante dois anos e meio foi Secretário Departamental da Associação da União Este brasileira em Niterói, RJ. Em julho de 1942, foi convocado Departamental da Associação Rio-Minas em Guanabara, SP, permanecendo até dezembro de 1944. No ano seguinte lecionou no IPAE (Instituto Petropolitano de Ensino) em Petrópolis, RJ até março de 1948. Em seguida, foi Presidente da Associação Espírito-Santense em Vitória, ES até janeiro de 1963. Foi pastor da Igreja Adventista de Vitória, ES entre fevereiro de 1963 a junho de 1964. A seguir, exerceu a função de Secretário Departamental da Associação da União Este brasileira em Niterói, RJ. Em 1969 desempenhou o cargo de pastor da IASD junto com o Instituto Adventista Campineiro em Hortolândia, Sumaré, SP. Aposentou-se em janeiro de 1970 e mesmo jubilado continuou prestando serviços relevantes a obra.

Dentre as realizações do pastor Ernesto, está a fundação do Educandário Espírito-Santense e de muitas igrejas. Além destas fundações, o pastor organizou e construiu o Lar de Órfãos Neanderthal.

BIBLIOGRAFIA: Informações oferecidas por Ernesto Roth; Revista Adventista, maio, 1978, 28; Revista Adventista, novembro, 1981, 35.